Dessas coisas…

June 20th, 2008

- E túmulos você visitaria?

- Tem o cemiterio LaChase, na França, mas na verdade não tenho a menor vontade de ver o túmulo do meu ídolor-mor da ironia, Oscar Wilde, todo cheio de marcas de batom. Ia estragar o mito. Mas tem um… O túmulo de Inês de Castro. Um dia eu vejo.

Tempos depois, vendo a belíssima programação da RTP descubro que o túmulo de Inês de Castro (é, aquela de “agora Inês é morta”) fica em Alcobaça (PT). Só pra registro. É só por causa da coincidência de falar sobre o assunto e no mesmo dia o tema voltar.

June 17th, 2008

Tô cansada de gente que acha que sustentabilidade é uma pessoa fazer cacareco  trabalho manual com lixo. Me poupem. E estudem.

Post-its.

June 17th, 2008

- Acho as sandálias Croc um horror terreno. Do tipo que nem merece comentários.

- Essa moda Rock In Rio Qualquer-coisa é bem estranho, não? Ou é no Rio… ou não é.

- Essa semana andei me lembrando de uma epígrafe chula da melhor qualidade, do Comunidade Nin-Jitsu (tive, tive, detetive, meu pai é detetive…): “Se broxar com uma garota é motivo de deboche, esse é o rap da ejaculação precoce”. Sempre chamo os apressados do trânsito de ejaculação precoce. Só pra constar.

 - Me apareceu uma multa de arara com o meu carro supostamente la na casa do cacete 13h da tarde. Detalhe para o carro: era um uno mille. Meu carro DEFINITIVAMENTE não é um uno mille.

June 17th, 2008

“- Mas as manhãs são péssimas. Eu nunca vejo as manhãs. Eu sinto um humor nazista de manhã. - Pérsio fez um risco no vidro. Depois outro, cortando o primeiro, como um grande X. - Talvez seja esse o problema. Uma vida sem manhãs. Estranho é que não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer outra coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, eu não lembro. Tenho a impressão de que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer. O problema é que essa coisa talvez dependa de uma outra pessoa para começar a acontecer

- Toque com cuidado – disse Santiago. - Senão ela foge

- A coisa ou a pessoa

- As duas.”

(ABREU, Caio Fernando. Pela Noite. In: Caio 3D – O essencial da década de 90)

The Golden Age

June 17th, 2008

Pois então, desde que soube do lançamento de Elizabeth Era de Ouro, fiquei ultra curiosa pra assistir. Cheguei a tentar até no camelot, mas no dia havia chegado tarde demais. “Tinha até ainda agora, mas a senhor ali acabou de levar…”.

Tenho uma obsessao pela história da Inglaterra. Êta país ducaraio. Quando fiz 15 anos, fui a única da minha turma a negar Disney e States e exigir a imersão de 2 semanas na fleuma britânica. Vamos pular a parte do dia que passei do-início-ao-final-no Victoria-and-Albert porque anos depois me dei conta que foi por causa desse dia que decidi virar designer. E talvez pesquisadora também.

Voltando ao The Golden Age, no itinerário acabei indo visitar Plymouth, a cidade mais ao sul da Inglaterra. Falei em cidade do interior? Jamais. Uma pequena potência local, com alemães fazendo topless, de tênis e fazendo churrasco de linguiça na praia de pedra. Foi la que vi Principia, o livro onde Newton publicou as leis da Física. Não, não, os escritos até hoje intocáveis da Marie Curie impregnatos de radioatividade vi no Science Museum.

Voltando à Plymouth, que tem uma universidade cravada no centro da cidade, se misturando com prédios públicos e áreas residenciais, o herói local é Francis Drake, que liderou a marinha inglesa na Batalha da Armada, fazendo os espanhóis se engasgarem com tanta água, mesmo tendo a maior frota de navios construída ate então.

A Batalha da Armada é recontada no filme, mas obviamente que Francis Drake, àquela altura um senhor não tão atraente, não tem o devido crédito pelos seus feitos, mas me fez ter um lapso de melancolia no meio da tarde.

Ainda, ao contrário do lugar comum, o forte do filme não é figurino, mesmo que eles sejam de tirar o fôlego e, lembrem-se como a Era Elizabetana era detalhista… Segundo a produção, o pulo-do-gato sao os cenários feitos com pouca grana, mas eu digo que a iluminação é incrivelmente bela. Incrivelmente. E, serei injusta… a interpretação da Cate Blanchett estava melhor em Elizabeth, mas não contem a ninguém.

Ah, meu Caio…

June 12th, 2008

“Aqui no meu quarto também existem coisas que podem matar - alâmina no aparelho de barbear, a própria janela de que gosto tanto. No quarto de meus pais há o revólver na gaveta, o vidro de comprimidos para dormir. Na cozinha, gás. No banheiro, aqueles vidros escuros de veneno. É fácil morrer. A toda hora, em todos os lugares, a morte está se oferecendo. Mais difícil é continuar vivendo. Eu continuo. Nao sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessosa que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será. Ontem, foi com dificuldade que consegui sair de perto do rio. Hoje parece impossível que eu tenha pensado naquilo.”

ABREU, Caio Fernando. Limite Branco. Rio de Janeiro: Agir, 2007

Eu tenho medo…

June 12th, 2008

… de gente muito alegre.

Assim, tenho medo da Sylvia Design (http://br.youtube.com/watch?v=KXN0I31yol4). Mas é MUITO medo mesmo. E uma mistura de vergonha alheia tb.

June 11th, 2008

Em 11/06/07 recebi o seguinte e-mail…

Subjets: Whatever Lola Wants…

… Lola Gets

Tua cara a letra.

E havia um arquivo attachado (neologismo, hum) que era a versão remix do Gotan Project de Whatever Lola Wants. Nâo lembro exatamente a razao da música agora, mas era alguma coisa antiga de… Ahm, melhor eu não me explicar. A letra realmente fala por si só. Entao, foi aí que conhece a bandeeenhaaaa.

Alegria Perfeita

June 11th, 2008

“. . .É simplesmente enorme, na verdade, a soma de
alegrias diminutas e delicadas que sinto ao observar
as pessoas e as coisas, quando estou só. Apenas
comigo mesma experimento uma ‘ alegria perfeita ‘. . .

[…] A vida com as outras pessoas me parece um
borrão, uma mancha. . .Quando estou sozinha,
acho tudo maravilhoso: a vida em todos os seus
detalhes, a vida.”

KATHERINE MANSFIELD
Diário, 16 de maio/1915 (trecho)
In:”Diário e Cartas”

Em Busca de Pasárgada

June 11th, 2008

“(…)

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

(…)”

BANDEIRA, Manuel. Vou-me embora pra Pasárgada

Sempre penso nesse poema nos dias tristes. Não conte a ninguém mas tenho desenhos de como imaginei Pasárgada, ou de como imagino encontrar Pasárgada nesses dias. Em um deles há um caminho e ali uma placa indicativa. Como se os bons caminhos fossem indicados por placas!
Pasárgada é apenas meu escapismo mental.