Não uma idéia qualquer, mas a idéia de um projeto, dessas com início, meioe fim, que vão ganhando uma forma mais clara a cada segundo.
E como dói. Ninguém sabe como é, mas é como ter um filho. Nesse exato momento, acabei de descobrir que estou grávida. Entrei em desespero, preciso contar para alguém, preciso pensar se é possível deixar crescer, criar asas, ganhar o mundo, sair de mim e ter suas próprias pernas.
Estou agoniada e ando de um lado a outro da casa. Ainda não é hora de contar a ninguém. É preciso ter certeza. Dentro de mim, sei que vou levar isso adiante, ficar orgulhosa, mostrar pra todo mundo, mas também sei que vai ser difícil, talvez chore, me arrependa e mande tudo à merda e me ache uma idiota no meio do caminho.
Mas agora não importa. Apenas decidir que vou levar essa gestação adiante, a minha idéia, tão pequenina, tão bonita, com um conceito tão lindo, enquanto imagino uma vida longe, em blogs, portifólios, papéis especiais… E, ao mesmo tempo, tão minha.
Sei que não é fácil criar uma criança assim, ora. Por isso já liguei para algumas pessoas. Se eu sou a mãe, preciso de avôs, avós, tios, tias, amigos, e mais todo mundo que já tenha experiência com crianças e/ou que estejam dispostas a me ajudar. Só decidi que babá ele não vai ter. Se a idéia é minha, vou criar, verificar o CMYK, a porcentagem de preto, a resolução, o melhor corte de imagem, vetorizar, curvar, verificar a fonte mais adequada… Ainda não pensei nisso alias, será que vai nascer com serifa ou sem serifa? Vou esperar começar a se formar pra decidir depois, quando olhar pra carinha dele, quer dizer, dela.
E o caminho é longo, viu? Já começo a sentir as mudanças no corpo. Não tenho mais fome. Estou obcecada. Só penso na minha pequenina criação. Já nem tenho sono. Desde que ela apareceu em mim, é como se tivesse tomado uma dose abusiva de cafeína. Procuro chás e outras drogas pra me deixar menos ansiosa mas não funcionam. Sinto vontade de sair correndo, rindo, gritar pra todo mundo que sou a mão de mais uma idéia muito bem resolvida.
E que raro é isso! Tantas vezes temos projetinhos que nem gostaríamos de ter feito, umas coisinhas que às vezes nem deixamos viver muito tempo, seja pela falta de dinheiro pra mantê-las, seja pela forma tão sem amor como foram geradas. E isso sem contar as doações! Já doei muitas idéias pro meu estagiário e, outras vezes, mesmo morrendo de ciúme, deixei ele cuidando de tantas outras quando o que mais queria era ficar com elas.
E se for uma idéia mal resolvida? Dessas que demoram muito tempo para serem paridas? Dá pra assistir todas as novelas da Globo e a idéia não sai. A gente sofre, grita, chora, faz mil apresentações e parece que a bichinha nunca ganha a forma que tem que ter. Esse é o medo de qualquer dono de idéias. E tem aquelas que quando não são mal resolvidas, quando começam a ganhar a forma final sofrem mutação. Que triste! Mexe daqui, mexe daqui, e não dá pra entender como na imaginação o formatinho dela é tão perfeito mas “no papel” é tão diferente. É haja operação plástica de correção!
Como se sofre! Falta dinheiro, falta sono, falta tempo, falta tanta coisa, mas depois que nascem ,do jeitinho que se planejou, que lindas que são. O problema é que nem se pode admirá-las por muito tempo pois logo ganham o mundo e deixam de dar notícias. Depois só vamos reencontrar as idéias dentro de pastas de backups, de portifolios ou de conversas saudosas. Diante disso, só podemos fazer algum comentário educado dizendo que foi um projeto que nos marcou e parir uma nova idéia melhor que a anterior.